Apaixonar-se por uma profissão como essa não é algo simples, é trabalhoso, é cansativo, mas, ao mesmo tempo é viver intensamente apaixonado pelo que se faz, é sentir-se todo dia um artista e conseguir se expressar e se expor através de seus trabalhos/obras.
A gastronomia surgiu em minha vida muito cedo, acordava aos sábados e observava minha avó espanhola limpando peixes e batendo molhos vigorosamente, e claro, no final do trabalho, aquele almoço maravilhoso, de paellas, tortillas a feijoadas e vatapás. A diversidade das comidas que minha avó preparava me deixava fascinado, sempre pensava comigo mesmo: "como alguém pode conhecer tantos tipos de comida e seus modos de preparo?". A curiosidade crescera e eu me sentia cada vez mais atraído pela cozinha, seus aromas, seu visual, sua energia de movimento muito acelerada e pelo resultado final: a refeição e seus sabores.
Mas creio que devem se perguntar, mas, o que isso tem haver com o tema, "quem sou eu e porque escolhi o jornalismo como profissão?" Como disse, a paixão é algo que me motiva, e eu, como um apaixonado pela cozinha e pelos alimentos, me encontrei nessa área, a Gastronomia, eu sou apenas mais um instrumento da cozinha, eu amo preparar refeições, eu amo desenvolver cardápios, eu amo quase tudo que a cozinha me oferece. Eu poderia dizer, sou um homem sincero, líder de equipe e motivado, mas prefiro falar através daquilo que me motiva, para se entender melhor isso, tem se de experimentar um pouco o que é cozinha e neste posto acho que posso explicar porque quero o jornalismo como profissão paralela à gastronomia.
Você acorda cedo, faz a barba, vai ao trabalho e lá começam as atividades, cortam-se mil alimentos a fim de preparar se quer um simples arroz de carreteiro, você corre muito quando faz 4 ou 5 molhos ao mesmo tempo e ainda assim tem de tomar conta do doce que está no forno. Você corre, você sua e ainda tem de ouvir o Chef dizendo: "Que moleza é essa? Vamos, vamos, o cliente não espera!" Tem de ser muito esforçado e tem de se aguentar muita coisa para se viver nesse universo. Se você não gosta de ouvir gritos, de suar e de ficar em pé o dia todo, sugiro que não tente essa área, mas se ainda assim seu gosto pela comida é mais forte, você aguenta sem problema e vê que é apenas mais um aprendizado. A cada prato que faço, sinto que alguém do outro lado do restaurante está dizendo: "hum, que gostoso, como será que isso foi feito?". Ou a melhor coisa de se ouvir: "o cliente adorou e mandou os parabéns". A recompensa vem em um sorriso, em um gesto de saciedade, em uma passada de mão disfarçada na barriga com se dissesse: "eu estou cheio". Termina-se o dia satisfeito por ter feito bem e agradado outras pessoas, sou um servo de qualidade para quem prova meus pratos.
Não consigo imaginar alguém que não goste de comer, então, agora, só me falta dizer, porque o Jornalismo? Imediatamente vos explicarei. A arte vem através de muitos caminhos, para mim, não veio apenas na Gastronomia, apareceu em um campo de trabalho aonde consigo atingir mais pessoas do que as que comem onde eu trabalho, consigo atingi-las em casa, em suas poltronas, em seus computadores, em seus trabalhos e em qualquer lugar aonde possam ler o que escrevo. O Jornalismo permite que eu passe minha paixão e gosto pela comida para infinitas pessoas, mesmo não sendo costume do brasileiro ler críticas gastronômicas, comentários culinários ou até mesmo opiniões de harmonizações e vinhos. Porém, creio que tem tido grande incentivo a este tipo de leitura com a aparição de cursos de Gastronomia no Brasil e de restaurantes mais sofisticados onde o brasileiro tem se encontrado de certa forma.
Para ensinar algo, tem de se saber muito bem do que se fala, e acho que neste ponto, posso oferecer ao leitor, mais que uma experiência de gastronomia.
Texto que desenvolvi para participar do concurso de jornalismo Abril.
Espero que gostem.
Um abraço
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